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Publicado em 21/06/2013 por Lielson Tiozzo

Livros na tralha

Para adquirir boas técnicas e aprimorá-las, o pescador deve sempre ler bons livros de pesca

Investir em boa tralha é um dos primeiros passos para o sucesso na pescaria. Essa opinião é unânime entre os pescadores esportivos. Mas eles também concordam que de nada adianta ter a melhor vara e a carretilha de última geração, se não houver conhecimento teórico sobre as modalidades e técnicas de captura dos peixes. Por isso, a pesquisa por meio de livros é atividade constante entre os grandes nomes da pesca nacional.

O pescador não pode ser “arrogante” e achar que sabe tudo. Sempre é preciso se atualizar e ter vontade de pesquisar sobre as novidades contadas por outros experts. A compra de livros sobre pesca é feita de diversas maneiras. Grandes livrarias, sites nacionais (www.submarino.com.br) e estrangeiros (www.amazon.com), e até mesmo sebos são boas fontes de procura por obras de qualidade. Os preços são variados e muitas vezes dependem da cotação do dólar, a moeda norte-americana.

Sempre à procura de novidades do mundo da pesca, o editor da Pesca & Companhia, Alex Koike, encontrou em sebo de São Paulo um livro de dicas de como confeccionar as iscas de fly.

“A satisfação de ter encontrado o `The art of the Trout Fly` foi muito grande, porque obras sobre o assunto são difíceis de encontrar por aqui. O mais interessante foi achar esta preciosa obra recheadas de renomados pescadores como Dave Withlock, Lee Wulff, Randall Kauffmann e muito outros, encostada em uma prateleira por apenas R$20,00, um preço bastante acessível”, conta ele.

O pescador pode aproveitar as horas vagas para ler e adquirir mais conhecimento por meio dessas obras.

“Nós sempre temos que buscar o conhecimento, apesar de não termos muito material disponível. Acho primordial ter uma coleção de livros de pesca para sempre aprender mais”, opina o consultor Juninho, dono de uma coleção de 15 obras.

Lazer e cultura

Os livros são divididos basicamente em duas categorias: contos e técnicos. Os primeiros são histórias narradas por grandes escritores/pescadores como “O Velho e o Mar”, do americano Ernest Hemingnay, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1954. Já os técnicos costumam trazer em diversos capítulos as mais variadas técnicas e dicas. É o caso do “Guia de nós para pesca”, de Orozimbo José de Moraes.

A produção de livros sobre pesca em português, no entanto, é considerada insatisfatória pelos pescadores brasileiros. As obras mais badaladas estão escritas principalmente em inglês e japonês. Infelizmente elas não são encontradas traduzidas, o que é ruim para de muitos de nós, que só falamos português.

Livros japoneses e americanos, aliás, são os favoritos de nossos pescadores. E a explicação é simples: a prática da pesca esportiva se desenvolve há mais tempo nos Estados Unidos e no Japão, e por isso os escritores desses países têm experiências de sobra para contar em palavras.

“Temos facilidades para fazermos grandes obras e competir com os estrangeiros. Mas parece que o brasileiro tem preguiça até de fazer uma pesquisa no Google (site de busca) sobre algum novo conteúdo”, critica o consultor Pepe Mélega.

O leitor, entretanto, deve ficar atento às leituras estrangeiras. Em alguns casos, o que pode ser praticado em países de clima subtropical não serve para os locais piscosos do Brasil. O pescador precisa ter discernimento.

“Não adianta também só ler. É preciso verificar se o conteúdo se encaixa com as condições de pesca do Brasil e se as características dos peixes realmente são compatíveis com o que é escrito”, afirma Mélega.

Mãos à obra

Muitos pescadores não se contentam apenas com as leituras. Alguns também pretendem contar suas histórias em livros, como forma de preservá-las. O desafio, segundo eles, está em encontrar leitores interessados. Mas nada que desanime a comunidade.

Juninho, protagonista de mais de 60 reportagens da Pesca & Companhia, quer um dia juntar todo o seu material produzido e transformar em obra literária. Trata-se da realização de um sonho para o consultor. “Acho que tenho conteúdo bastante didático para publicar em um livro. No futuro, com certeza devo lançar”, garante.

O lançamento de livros de pesca, na visão de Juninho, pode servir como incentivo para o surgimento de novos pescadores. Ao encontrar um conteúdo interessante, o leitor pode sentir vontade de experimentar as técnicas ensinadas ou tentar pescar o mesmo peixe gigante da foto.

O editor técnico Tuba tem desejo parecido. Com mais de 10 mil fotos digitalizadas, ele irá selecionar pelo menos uma centena delas para transformá-las em livro. Mas, por enquanto, o projeto é apenas promessa. “O problema é que tenho ido pescar muito e ainda não tive tempo”, lamenta o consultor.

Pescando com mosca

Pescador desde muito jovem, Paulo César Domingues da Silva sempre teve vontade de escrever um livro com suas histórias. O desejo aumentou quando no final da década de 1940 ele aprendeu a pescar com mosca nas represas do Rio de Janeiro. A cada peixe fisgado, a reflexão sobre a possibilidade dos brasileiros também desfrutarem da técnica já bastante difundida em países vizinhos como Argentina e Chile.

Mas para realizar o sonho de escrever um livro, Silva demorou mais de 60 anos. Ele primeiro teve o cuidado de juntar e catalogar as principais matérias da revista norte-americana Fly Fisherman desde 1975 sobre as técnicas com mosca. Em 2002, ele pediu autorização para reproduzir algumas imagens das antigas publicações em livro e deu início aos textos, somando seus conhecimentos e o que havia aprendido com os pescadores da revista.

“Fiz praticamente tudo, as fotos, as ilustrações, todos os textos. Consultei minha biblioteca particular de livros em inglês. Aprendi o inglês apenas para poder ler estes livros e aprender mais sobre o fly”, lembra Silva, que ainda garante: “quem ler o livro poderá aprender as técnicas sem a ajuda de ninguém”.

A conclusão do livro demorou três anos e a distribuição ficou por conta da editora escolhida por Silva. Trabalho mesmo ele teve com os gastos. Foram R$ 6 mil para a impressão de apenas 500 exemplares. A baixa tiragem foi por conta da pouca quantidade de mosqueiros no Brasil.

“Foi maravilhoso escrever um livro. Pena que os brasileiros pensam que a pesca com mosca serve só para trutas”, comenta Silva.

O pescador ainda tem outro livro pronto. Não se trata de uma obra didática, mas reunirá vários contos com o uso de todo os tipos de equipamentos, inúmeras espécies e em locais do mundo todo.

Sugestões de livros:

1- “O Velho e o Mar”, Ernest Hemingnay

2- “Pescando com mosca”, Paulo César Domingues da Silva

3- “Guia de nós para pesca”, Orozimbo José de Moraes

4- “Tucunaré, uma paixão nacional”, Dieter Kelber

5- “Arte da pesca esportiva no mar” – Wander Costa

6- “Pantanal – A Pesca Esportiva” – Irineu Fabichak

7-“Dicas e macetes da pesca na orla marítima”, Oswaldo Wenceslau Silva

8- “Dicas e macetes da pesca na bacia Amazônica”, Oswaldo Wenceslau Silva

9- “Pesca Esportiva Marítima”, Irineu Fabichak

10- “Pesca coms egurança”, Oswaldo Wenceslau Silva